
A história da folia de Reis na Comunidade da Prainha Branca.

A Voz e a Alma da Prainha Branca: A Jornada da Folia de Reis
A Folia de Reis da Prainha Branca, no Guarujá, é mais do que uma tradição religiosa; é um elo inquebrável entre o passado caiçara e o futuro da comunidade. Em um território onde o mar dita o ritmo da vida e a mata abraça o vilarejo, a "Bandeira" percorre a comunidade todo início de ano, carregando consigo décadas de histórias, melodias e devoção.
As Raízes: O Eco que veio do Mar
Tudo começou entre as décadas de 1950 e 1960. A semente foi plantada por Maciel Hermógenes, violeiro e cantador da Ilha Montão de Trigo. Com sua voz potente e uma viola paulista Giannini, Maciel trouxe para o continente a tradição das "vozes abertas" e das afinações caipiras.
Naquela época, a Folia era um ofício de mestres. Ao lado de Maciel, nomes que hoje são lendas na Prainha formavam a base dessa herança:
Dona Antônia (Canto)
Benedita Netta (Porta-bandeira)
Benedito Bento (Viola)
Maciel Hermógenes (Viola)
Dededa (Rabeca)
Benedito Rodrigues (Percussão)
O Legado de "Passarinho"
Nos anos 80, o bastão foi passado para o neto de Maciel, Silvano Neves Ledo, o saudoso "Passarinho". Foi ele quem abriu as portas da tradição para amigos e familiares, trazendo novos instrumentos como o saxofone e o violão, criando a sonoridade rica e multifacetada que define a Folia da Prainha até hoje.
As Mãos que Vestem a Fé
Nenhum Reisado estaria completo sem o brilho de sua Bandeira e as vestes de seus foliões. Por trás de cada ponto e bordado, estão as mulheres que dedicam seu tempo e talento para manter a estética sagrada da festa:
Dona Dionísia Alves ("Nizinha"): A pioneira, primeira costureira do Reisado da Prainha Branca.
"Tia Rose": A atual guardiã das agulhas, que com o mesmo carinho garante que a tradição siga impecável a cada novo ciclo.
A Formação Atual: Resistência e Harmonia
Hoje, a Folia é liderada por Demmi Rangel, filho de Passarinho, que comanda a zabumba e o ritmo como a atual liderança do grupo. O conjunto atual é uma celebração da amizade e do parentesco:
Liderança e Ritmo: Demmi Rangel (Zabumba)
Porta-Bandeira: Ivete Lins
Cantos e Acompanhamentos: Gil Dos Santos e Sofia Neves Ledo
Triângulo e Canto: Renato A. Dos Santos Filho Lemos
Sopro: Jaime "Mukika" (Saxofone)
Cordas Clássicas: Wilson Trovador (Rabeca/Violino)
A Alma da Viola: Zé Marcio e Betto Ponciano (Viola Caipira)
Harmonia: Silvio Neves Ledo (Violão), Nilton Gonçalves (Cavaquinho) e Felipe Ledo (Violão e preservação digital/Página Web).
O Futuro: A Nova Geração
A Folia de Reis da Prainha Branca não para no tempo. Hoje, já vemos os filhos dos integrantes atuais acompanhando o percurso, aprendendo os acordes e os versos. Essa renovação garante que o som da rabeca e da viola continuará ecoando pelas encostas da Prainha por muitas décadas.
Agradecimento Especial: A Força dos Invisíveis
A existência desta Folia é fruto de um esforço coletivo que vai muito além dos músicos. Expressamos nosso profundo agradecimento:
Aos Guardiões da Imagem: Todos aqueles que, com suas câmeras e celulares, registraram as músicas, vídeos e fotos ao longo dos anos, garantindo que a memória não se apague.
Aos Braços Fortes: Aqueles que ajudaram a carregar os instrumentos musicais durante o trajeto difícil, subindo e descendo o morro e atravessando trilhas na calada da noite, para que a música nunca parasse de tocar.
À Hospitalidade Caiçara: A cada morador que abriu sua porta oferecendo comida, bebida e acolhimento, transformando o cansaço em celebração.
Aos Foliões de Sempre: A todos que, mesmo não citados nominalmente, acompanharam a Bandeira em algum momento desses mais de 60 anos de história.
Vocês são a base que sustenta essa tradição. Viva os Santos Reis e viva a comunidade da Prainha Branca!



